domingo, 27 de maio de 2012

No país das Mal'ravilhas

  Você ainda não está satisfeita(o) com a sua dose diária de cafeína.
É compreensível que tanta dor tenha provocado essa muralha construída entre você e o resto do mundo, mas agora não é o mesmo mundo, olha só como as coisas mudam!
Seus maiores pesadelos são invisíveis e estarão presente aonde você for. Construa então seus próprios sonhos e os realize. Mexa-se.
  Ás vezes me impressiona o modo como tenta se punir deixando ainda mais amargo o seu café (É mais legal quando você se permite ser doce). A tua insegurança não é charmosa, é perigosa. 
Pinta de rosa essa tua falsa braveza, jogue fora essa restrição maldita e mereça estar neste lugar.
Você não tem noção das coisas que fala quando está chapada(o)! 
  Considere ter dúvidas, sentir o frio na barriga e saiba perder.
Ah, mas não se iluda! Meu tempo é similar ao seu, ainda há muita coisa a ser feita.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

4 de Junho

Pode ficar, não faça cerimônia.
Senta no chão, reclame da cerveja, do sono e do frio.
Acabou o cigarro!
Vamos rir mais um pouco,
Ah pára , você acha bacana e fica aí fingindo que não se importa.
Não há tempo, não há pressa.
Nossa conversa é muda,  nos entendemos melhor pelo olhar.
É domingo, frio e chuvoso. Clássico!
A graça toda era essa. Perdi.
Não fosse essa minha paiaçada , a gente poderia ver o próximo eclipse.


domingo, 20 de maio de 2012

Caixa Postal


Esqueci de falar que é preciso ter garra pra encarar a vida, sonhar não faz realizar.
Queria te lembrar sobre o preço da vaidade: ela pode te deixar cego.
Eu poderia te ensinar que não custa se despedir, ainda que o seu sorriso abra portas e janelas;
Seja tu.
Eu não te contei sobre o dia em que comecei a andar sozinha, de como me caiu bem essa liberdade.
Precisei guardar alguns espinhos por segurança; É bom aprender a se prevenir.
Um rio desaguou no mar, pássaros cantam ainda mais alto, flores brotam a cada segundo, os passos são mais calmos e firmes; 
Aquela música agora é só minha.



sábado, 19 de maio de 2012

Lupa

Ouço músicas respirarem.
Apoio manifestações de carinho, cuidado.
Guardo em mim os olhares.
Enxergo com doçura.
Abraço causas nobres.
Mergulho em histórias fascinantes.
Felicito os amantes.
Beijo com o corpo.
Respondo com gestos.
Permito-me redescobrir sabores.
Selo discussões com sorrisos.
Respeito o choro. Mais ainda o fôlego.
Desejo com a alma.
Amo o Intrínseco.
Calo-me com sensatez.



quarta-feira, 16 de maio de 2012

Bem vindo!


Não tenho grandes talentos,
Não sou mestre em comportamento,
Nem tenho lindas frases de efeito na ponta da língua;
Sou parte de um todo, sou movida a sentidos.
Valorizo gestos simples, olhares e sorrisos.
Pompa e circunstância não me atraem.
O excesso sempre é um estorvo.
É melhor ser pouco, puro.
Eu não estou no topo, eu nem ligo.
Cá embaixo ainda é doce, bom e verdadeiro;
Aqui ainda tem sabor, graça e som.
Meu barco ainda é a vela,
Vou direto ao ponto.
 







sexta-feira, 11 de maio de 2012

Plunct Plact Zum




Monta-se em brilho, paetê, rímel e adereços; Quase um uniforme.
Entra no personagem e faz tipo.
Não é seguro, nunca é; Não gosto de festas a fantasia faz tempo!
A distorção do real, a adoração pelo poder social e a mentira crua, nua.
Injeta a energia de vários dias em um.
Perde-se o sono, o medo, a vergonha e a personalidade.
Mergulha de cabeça em areia movediça e afunda.
Quem estará disposto a segurar pelas mãos?
No fim da noite o que resta: olhos borrados, ressaca, pés descalços e antidepressivos.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Meu Avô


Meu avô era um homem íntegro. Não existe outra definição;

Gostava de sentar ao seu lado no banco de madeira na grande mesa da cozinha com a toalha de plástico cheia de flores. Os seus gatos passavam por entre nossas pernas na hora do café; Eu ficava nervosa por isso, mas meu avô estava ali; Era uma grande honra.
Na hora do banho quase sempre:
- Vô.... Tem uma aranha enoooorme no Box (sempre exagerada);
_ Ela frequenta esta a casa há mais tempo e frequência do que você. Respondia-me calmamente.
Eu continuava meu banho sem tirar os olhos dela. Intrusa.

Desligava a televisão quando queria e ia dormir, não havia alguém (entre crianças e adultos) que tivesse a ousadia em argumentar ou pior, religar.
  Nossa diversão então era balançar o grande e assustador lustre da sala que desenhava nas paredes as histórias contadas pelos mais velhos.  
Meu medo maior era dos morcegos que invadiam o forro e faziam da minha noite uma grande aventura, sempre tive uma imaginação fértil.
  Na última vez em que dormi na sua casa meu medo não era mais dos morcegos, mas de que ele nos visse (eu e minha irmã) comendo hambúrguer escondidas; Comer hambúrguer era um pecado quando se tinha angu na panela.
  Os quadros eram um espetáculo à parte. Os pequenos  da cozinha que retratavam uma vida simples na roça  aos grandes e religiosos como o do Mar vermelho na sala. Mas daqueles de fotos desenhadas, eu simplesmente odiava.
  Eu renomeava as frutas que encontrava pelo sítio, e ele achava isso totalmente cabível.
  Deitado em sua rede me contava histórias absurdas e eu acreditava em todas elas. Como da vez em que contou em detalhes a história de um homem que foi descansar em uma árvore e foi engolido por ela durante o sono.  Claro que era verdade; Era meu avô!
  Ele nunca confundia meu nome. Eu era a Carolina ou os milhões de variantes.
Tinha a postura de um grande sábio, e era.
  Eu me instruí a fazer a ele somente perguntas inteligentes e relevantes. No resto, só ouvia o que ele estava disposto a falar.

Ouvi dele apenas uma gargalhada e disse q o amava uma vez, foi à última que o vi.
Numa cama de hospital ele me olhou como se não me conhecesse e me perguntou: - Quem é você?
Segurei em sua mão fria, olhei para seus olhos e disse: - sou eu vô, a Carol, filha do Gerson.
Ele me corrigiu: - Canurina. 

Chorei, sabia que não o veria mais.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Baú


Bateu saudade, saudade de mim. Saudade das coisas que eu costumava fazer e me satisfazia.Todo mundo precisa de um tempo íntimo, quase secreto. E é nesse íntimo que se guarda a essência, quase inocência. 

As coisas que nos inspiram quase sempre se mantêm ali guardadas e sofrem pequenas adições ao logo do tempo, mas nunca morrem.Não é nostalgia, longe disso! É o simples prazer de sentir-se vivo, vivido! 

Lembro-me bem das árvores que me encantaram, das músicas bem tocadas, das flores enfeitando o chão das calçadas (quase sempre de uma avó, imagino eu), de todos os cafés degustados, das gotas de chuva forte, dos olhares confidentes, dos sorrisos, ah...sorrisos que me marcaram mais que todas as lágrimas.

E dos meus puros segredos que posso me lembrar sem nenhum cuidado; São meus.

Segredos de verdade são estes que nunca saem de nós. Esses são os nossos grandes trunfos.

Só consegue se enxergar quem está disposto a ser verdadeiro.

Só é verdadeiro quem se ama.