Parei de escrever, opinar, pensar, refletir, debater, insistir, nem consentir.
To alcançando o mais puro objetivo já quisto de não fazer nada.
Não me preocupar com o que fazem , dizem, sentem, escrevem, opinam, discutem ou fodem.
Atingi o prazer de não ligar pra porra nenhuma, não me importar com as sacanagens (positivas ou negativas).
Dedico essa minha anti-revolta. suprema-ociosidade a todos aqueles que contribuem diariamente à minha falta de interesse.
Seus merdas,
Obrigada.
Obs.: Não irei corrigir possíveis erros (quase sempre presentes) ortográficos e/ou gramaticais.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Continue conectado
As cobranças internas são as mesmas de sempre.
Nas conversas mais soltas deixamos escapar as fraquezas e inseguranças que nos perseguem.
- Não há alívio para hoje!
- Nem precisa encher o copo.
Atingimos o topo da cumplicidade quando conseguimos conversar com os olhos.
Eu digo: - Não! (em vão), Nós sabemos.
Ainda há tanto pra ser, dizer e rir. Mas a noite ficou amarga.
- É esta cerveja.
- Não, somos nós.
Será que é um erro estar sóbrio no meio disso tudo?
As pessoas que mais admiro são completamente seguras em suas loucuras.
O tempo se arrasta, vira um jogo de palavras. Talvez um jogo de saída.
Concordamos em parar por aqui.
Fez-se o tédio, o fim.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Me ame e me odeie.
Fala-se muito em ser verdadeiro, sincero, coisa e tal;
Mas acontece que não há público para as palavras duras.
O próprio desejo de ouvir a verdade é falso. Há uma súplica em massa que diz: "- Seja verdadeiro, mas pega leve por favor!".
Somos mais sensíveis do que gostaríamos ou mais dramáticos do que deveríamos?
As meias verdades não valem (já que meias mentiras as condenam).
Eu falo é da integridade, crueldade, frieza, nudez.
Quem se permite falar a verdade perde muito socialmente e ganha o dobro em crescimento pessoal.
Aprendizado maior é quando se descobre que ás vezes é necessário se calar.
Falar muito a verdade continua sendo "falar demais".
Mas acontece que não há público para as palavras duras.
O próprio desejo de ouvir a verdade é falso. Há uma súplica em massa que diz: "- Seja verdadeiro, mas pega leve por favor!".
Somos mais sensíveis do que gostaríamos ou mais dramáticos do que deveríamos?
As meias verdades não valem (já que meias mentiras as condenam).
Eu falo é da integridade, crueldade, frieza, nudez.
Quem se permite falar a verdade perde muito socialmente e ganha o dobro em crescimento pessoal.
Aprendizado maior é quando se descobre que ás vezes é necessário se calar.
Falar muito a verdade continua sendo "falar demais".
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Prólogo
Até quando vou adiar o início de mim?
Para ir em frente só me falta o primeiro passo.
E por quê "ainda" não?
É uma tolice tão absurda, que falta pouco para ter graça essa minha falta de coragem.
Não gosto de freios, rédeas, correntes. E cá estou, aprisionada em meus próprios argumentos.
- E quanto aquilo que ficará para trás?
- Eu não ligo, cara!
(Nem mesmo eu acredito nisso).
Já sei! É o egoismo que não me deixa ir sem saber como ficará por aqui.
Tenho que me dar uma lição. Mostrar pra mim que sou capaz de fazer todas as coisas que planejo.
Não é um teste, nem é pra depois.
É agora e para sempre.
Para ir em frente só me falta o primeiro passo.
E por quê "ainda" não?
É uma tolice tão absurda, que falta pouco para ter graça essa minha falta de coragem.
Não gosto de freios, rédeas, correntes. E cá estou, aprisionada em meus próprios argumentos.
- E quanto aquilo que ficará para trás?
- Eu não ligo, cara!
(Nem mesmo eu acredito nisso).
Já sei! É o egoismo que não me deixa ir sem saber como ficará por aqui.
Tenho que me dar uma lição. Mostrar pra mim que sou capaz de fazer todas as coisas que planejo.
Não é um teste, nem é pra depois.
É agora e para sempre.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Voo Alto
Sentir-se livre não é deixar de dar satisfações, é se sentir satisfeito.
É dar as mãos aos erros e encurtar a dor. Ser humano.
É ter mais cuidado com perguntas do que com respostas.
É aprender com o tempo, com o senso, com tudo.
Não sei onde e como acontece esse Start, mas é um choque muito grande para quem tem medo do escuro.
Eu tenho/tinha ,já nem sei!
Não tenho mais o medo da interpretação equivocada.
Não há um entendimento unanime, o "blábláblá...eu sou o centro do Universo" sempre estará em algum canto pra poder ter a certeza de que o faz incomodar. Não faz. Não importa. Não se importe.
É dar as mãos aos erros e encurtar a dor. Ser humano.
É ter mais cuidado com perguntas do que com respostas.
É aprender com o tempo, com o senso, com tudo.
Não sei onde e como acontece esse Start, mas é um choque muito grande para quem tem medo do escuro.
Eu tenho/tinha ,já nem sei!
Não tenho mais o medo da interpretação equivocada.
Não há um entendimento unanime, o "blábláblá...eu sou o centro do Universo" sempre estará em algum canto pra poder ter a certeza de que o faz incomodar. Não faz. Não importa. Não se importe.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Agouro
Eu não sei quase nada sobre ele.
Se fere, maltrata ou se cura e cicatriza.
Não enxergo as cores, forma e tamanho.
Não sei medir altura ou distancia.
Nem sei quantificar o tempo.
Ele existe.
Não morreu, voltou! Nada mudou.
Não sei ainda se isso é bom ou ruim.
Mas quero que morra, antes ele do que eu.
Relativo ou pertencente a Platão.
Alheio a interesses ou gozos materiais; ideal, casto
domingo, 8 de julho de 2012
Síndrome de Borderline
A loucura é contagiosa.
E não há limites para quem se diverte sem saber que está próximo a um abismo tão profundo quanto o próprio ego.
Há tantas maneiras de se mutilar e você escolhe a mais fraca, isso é vergonhoso!
Tá bom, estou pedindo demais; a criatividade está em baixa, eu sei!
A gente sempre arruma bons adjetivos para justificar uma escolha, mesmo quando não há .*
O pior que pode acontecer com o aprendizado aconteceu comigo: Eu cresci.
Sim , não é uma boa condição. A gente ganha um faro muito apurado para as ciladas, o que nos impede de nos divertir por qualquer bobagem.
Assim como a maioria ainda faz.
* = É o que a Gabi sempre diz.
E não há limites para quem se diverte sem saber que está próximo a um abismo tão profundo quanto o próprio ego.
Há tantas maneiras de se mutilar e você escolhe a mais fraca, isso é vergonhoso!
Tá bom, estou pedindo demais; a criatividade está em baixa, eu sei!
A gente sempre arruma bons adjetivos para justificar uma escolha, mesmo quando não há .*
O pior que pode acontecer com o aprendizado aconteceu comigo: Eu cresci.
Sim , não é uma boa condição. A gente ganha um faro muito apurado para as ciladas, o que nos impede de nos divertir por qualquer bobagem.
Assim como a maioria ainda faz.
* = É o que a Gabi sempre diz.
terça-feira, 3 de julho de 2012
DL pra todo lado!
A sua voz pode invadir, com ou sem razão.
Ela pode VIR.
E mesmo que não conquiste em versos, faz vibrar os sentidos.
Eleva.
A estrada não parece tão longa como antes,os obstáculos parecem menores, a voz chegou primeiro.
Poderia ter avisado! Eu seria mais justa na recepção, percepção e absorção.
E se todos os elogios soarem de forma exagerada: Esta aí minha autenticidade equivalente a sua!
Ainda bem que existem pessoas que se cobram, que se zangam e fazem esse trem funcionar.
Sim, é permitido fazer cara de mau e falar de amor. Estamos aqui pra isso.
Agora tá bão, deixa eu te ouvir em paz!
Ela pode VIR.
E mesmo que não conquiste em versos, faz vibrar os sentidos.
Eleva.
A estrada não parece tão longa como antes,os obstáculos parecem menores, a voz chegou primeiro.
Poderia ter avisado! Eu seria mais justa na recepção, percepção e absorção.
E se todos os elogios soarem de forma exagerada: Esta aí minha autenticidade equivalente a sua!
Ainda bem que existem pessoas que se cobram, que se zangam e fazem esse trem funcionar.
Sim, é permitido fazer cara de mau e falar de amor. Estamos aqui pra isso.
Agora tá bão, deixa eu te ouvir em paz!
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Só isso!
Depois de algumas horas, dias, semanas à esperar por um milagre, já estamos preparados para aceitar que toda realidade é tão dura quanto parece.
Não tem nada novo passando pela janela e não tem graça a velha piada.
Estamos perdendo os planos antigos e aumentando todas as possibilidades camufladas em expectativa.
A gente sempre ganha, mesmo sem merecer. A vida é injusta.
Não temos os grandes recursos e nem o poder dos grandes jogos de disputa interna.
Que malandragem é essa?
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Foco
Os intervalos são tão necessários quanto resistir aos blefes.
As doses servem como mecanismo de defesa dos espertos.
Coisa de gente experiente mesmo.
Coisa de gente experiente mesmo.
Não há regra, nem alvo. É quase físico.
Não adianta também criar receitas e definir limites, simplesmente acontece. E quando acontece, não há permissão para dúvidas.
E quem diria que no meio da explosão ainda permanece intacto um desejo infantil de querer ser gente grande?
Que bobagem, não há nada bom em ser gente!
Que bobagem, não há nada bom em ser gente!
Aparecem caminhos e alternativas ainda mais óbvias a cada instante. Um mundo paralelo e surreal; estava aqui disponível todo o tempo. Só vemos o que queremos ver.
Só garanto que não há fim, o aprendizado é constante.
Enquanto houver tempo eu o terei e ele a mim.
Enquanto houver tempo eu o terei e ele a mim.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Tempo perfeito
Esses dias frios parecem ter La valse d'Amelie como trilha.
São servidos com café e bolo. Xícaras de porcelana.
Constroem certezas e temperam diálogos.
Selam finais e anunciam renúncias*.
Tenho cardápios,filmes filme, autores, músicas, meias e cômodos certos para dias assim.
Parecem mais verdadeiros que os ensolarados, mais vivos que os dias quentes de verão. Combinam comigo.
Crio um roteiro para as horas seguintes e sobreponho a alma.
Algumas vezes o tempo parece passar mais devagar, contribuindo para o meu contentamento.
Aproveito para organizar os meios, definir os caminhos.
E para amanhã desejo o vento gélido, as gotas de orvalho, a neblina e sorrisos com covinhas.
* Valeu Lucas.
São servidos com café e bolo. Xícaras de porcelana.
Constroem certezas e temperam diálogos.
Selam finais e anunciam renúncias*.
Tenho cardápios,
Parecem mais verdadeiros que os ensolarados, mais vivos que os dias quentes de verão. Combinam comigo.
Crio um roteiro para as horas seguintes e sobreponho a alma.
Algumas vezes o tempo parece passar mais devagar, contribuindo para o meu contentamento.
Aproveito para organizar os meios, definir os caminhos.
E para amanhã desejo o vento gélido, as gotas de orvalho, a neblina e sorrisos com covinhas.
* Valeu Lucas.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Mapa
..aí resolvi levantar do sofá, calçar as botas de combate e
andar pelo mundo. Não gosto da estabilidade, do mais do mesmo, nem de Legião Urbana. Nem vou fazer uma vida bonita de comercial de margarina pra provar que posso. Eu posso, sei
disso! Mas não rola.
Arrumei uma mala mochila bacana e resolvi sair em busca
de mim. Essa busca sou eu.
Eu perco o interesse com a conquista. Não nasci pra essa
coisa de vida a dois (infelizmente, ou não), e corro o risco de permanecer
sozinha por um bom tempo por não me adequar aos padrões de relacionamento. Não
é questão de fidelidade, muito menos de compreensão. Não sou compatível, só
isso.
Tenho a ansiedade exposta e uma impaciência implicante. Não
vou perder a chance de descobrir, arriscar e me achar nos temperos, sotaques,
relevos e temperaturas por aí.
Estou jogando no
Hard. Continue? 10, 9, 8, 7...
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Cruel
A verdade crua e nua: Cura!
Ela desencanta , amanhece e perturba.
Ser uma pessoa cruel não é ser má, mas a possibilidade de unir esses dois adjetivos te faz um grande vilão.
Há quem aprecie.
Não é de hoje que se comenta sobre a dificuldade em se relacionar socialmente, já virou jargão e a solução é evidente.
A crueldade coloca pimenta, detona e fere sem mentir. Um sujeito perspicaz sabe levar a dor pra casa (ou nem leva) sem drama. Ele aprende e cresce.
Ela desencanta , amanhece e perturba.
Ser uma pessoa cruel não é ser má, mas a possibilidade de unir esses dois adjetivos te faz um grande vilão.
Há quem aprecie.
Não é de hoje que se comenta sobre a dificuldade em se relacionar socialmente, já virou jargão e a solução é evidente.
A crueldade coloca pimenta, detona e fere sem mentir. Um sujeito perspicaz sabe levar a dor pra casa (ou nem leva) sem drama. Ele aprende e cresce.
domingo, 27 de maio de 2012
No país das Mal'ravilhas
Você ainda não está satisfeita(o) com a sua dose diária de cafeína.
É compreensível que tanta dor tenha provocado essa muralha construída entre você e o resto do mundo, mas agora não é o mesmo mundo, olha só como as coisas mudam!
Seus maiores pesadelos são invisíveis e estarão presente aonde você for. Construa então seus próprios sonhos e os realize. Mexa-se.
Ás vezes me impressiona o modo como tenta se punir deixando ainda mais amargo o seu café (É mais legal quando você se permite ser doce). A tua insegurança não é charmosa, é perigosa.
Pinta de rosa essa tua falsa braveza, jogue fora essa restrição maldita e mereça estar neste lugar.
Você não tem noção das coisas que fala quando está chapada(o)!
Considere ter dúvidas, sentir o frio na barriga e saiba perder.
Ah, mas não se iluda! Meu tempo é similar ao seu, ainda há muita coisa a ser feita.
Ah, mas não se iluda! Meu tempo é similar ao seu, ainda há muita coisa a ser feita.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
4 de Junho
Pode ficar, não faça cerimônia.
Senta no chão, reclame da cerveja, do sono e do frio.
Acabou o cigarro!
Vamos rir mais um pouco,
Ah pára , você acha bacana e fica aí fingindo que não se importa.
Não há tempo, não há pressa.
Nossa conversa é muda, nos entendemos melhor pelo olhar.
É domingo, frio e chuvoso. Clássico!
A graça toda era essa. Perdi.
Não fosse essa minha paiaçada , a gente poderia ver o próximo eclipse.
domingo, 20 de maio de 2012
Caixa Postal
Esqueci de falar que é preciso ter garra
pra encarar a vida, sonhar não faz realizar.
Queria te lembrar
sobre o preço da vaidade: ela pode te deixar cego.
Eu poderia te
ensinar que não custa se despedir, ainda que o seu sorriso abra portas e
janelas;
Seja tu.
Eu não te contei
sobre o dia em que comecei a andar sozinha, de como me caiu bem essa liberdade.
Precisei guardar
alguns espinhos por segurança; É bom aprender a se prevenir.
Um rio desaguou no
mar, pássaros cantam ainda mais alto, flores brotam a cada segundo, os passos
são mais calmos e firmes;
Aquela música agora é só minha.
sábado, 19 de maio de 2012
Lupa
Ouço músicas respirarem.
Apoio manifestações de carinho, cuidado.
Guardo em mim os olhares.
Enxergo com doçura.
Abraço causas nobres.
Mergulho em histórias fascinantes.
Felicito os amantes.
Beijo com o corpo.
Respondo com gestos.
Permito-me redescobrir sabores.
Selo discussões com sorrisos.
Respeito o choro. Mais ainda o fôlego.
Desejo com a alma.
Amo o Intrínseco.
Calo-me com sensatez.
Apoio manifestações de carinho, cuidado.
Guardo em mim os olhares.
Enxergo com doçura.
Abraço causas nobres.
Mergulho em histórias fascinantes.
Felicito os amantes.
Beijo com o corpo.
Respondo com gestos.
Permito-me redescobrir sabores.
Selo discussões com sorrisos.
Respeito o choro. Mais ainda o fôlego.
Desejo com a alma.
Amo o Intrínseco.
Calo-me com sensatez.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Bem vindo!
Não tenho grandes talentos,
Não sou mestre em comportamento,
Nem tenho lindas frases de efeito na ponta da língua;
Sou parte de um todo, sou movida a sentidos.
Valorizo gestos simples, olhares e sorrisos.
Pompa e circunstância
não me atraem.
O excesso sempre é um estorvo.
É melhor ser pouco, puro.
Eu não estou no topo, eu nem ligo.
Cá embaixo ainda é doce, bom e verdadeiro;
Aqui ainda tem sabor, graça e som.
Meu barco ainda é a vela,
Vou direto ao ponto.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Plunct Plact Zum
Monta-se em brilho, paetê, rímel e adereços; Quase um
uniforme.
Entra no personagem e faz tipo.
Não é seguro, nunca é; Não gosto de festas a fantasia faz
tempo!
A distorção do real, a adoração pelo poder social e a mentira
crua, nua.
Injeta a energia de vários dias em um.
Perde-se o sono, o medo, a vergonha e a personalidade.
Mergulha de cabeça em areia movediça e afunda.
Quem estará disposto a segurar pelas mãos?
No fim da noite o que resta: olhos borrados, ressaca, pés descalços
e antidepressivos.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Meu Avô
Meu avô era um homem íntegro. Não existe outra definição;
Gostava de sentar ao seu lado no banco de madeira na grande
mesa da cozinha com a toalha de plástico cheia de flores. Os seus gatos
passavam por entre nossas pernas na hora do café; Eu ficava nervosa por
isso, mas meu avô estava ali; Era uma grande honra.
Na hora do banho quase sempre:- Vô.... Tem uma aranha enoooorme no Box (sempre exagerada);
_ Ela frequenta esta a casa há mais tempo e frequência do que você. Respondia-me calmamente.
Eu continuava meu banho sem tirar os olhos dela. Intrusa.
Desligava a televisão quando queria e ia dormir, não havia
alguém (entre crianças e adultos) que tivesse a ousadia em argumentar ou pior,
religar.
Nossa diversão então era balançar o grande e assustador
lustre da sala que desenhava nas paredes as histórias contadas pelos mais
velhos. Meu medo maior era dos morcegos que invadiam o forro e faziam da minha noite uma grande aventura, sempre tive uma imaginação fértil.
Na última vez em que dormi na sua casa meu medo não era mais dos morcegos, mas de que ele nos visse (eu e minha irmã) comendo hambúrguer escondidas; Comer hambúrguer era um pecado quando se tinha angu na panela.
Os quadros eram um espetáculo à parte. Os pequenos da cozinha que retratavam uma vida simples na roça aos grandes e religiosos como o do Mar vermelho na sala. Mas daqueles de fotos desenhadas, eu simplesmente odiava.
Eu renomeava as frutas que encontrava pelo sítio, e ele achava isso totalmente cabível.
Deitado em sua rede me contava histórias absurdas e eu acreditava em todas elas. Como da vez em que contou em detalhes a história de um homem que foi descansar em uma árvore e foi engolido por ela durante o sono. Claro que era verdade; Era meu avô!
Ele nunca confundia meu nome. Eu era a Carolina ou os milhões de variantes.
Tinha a postura de um grande sábio, e era.
Eu me instruí a fazer a ele somente perguntas inteligentes e relevantes. No resto, só ouvia o que ele estava disposto a falar.
Ouvi dele apenas uma gargalhada e disse q o amava uma vez,
foi à última que o vi.
Numa cama de hospital ele me olhou como se não me conhecesse
e me perguntou: - Quem é você? Segurei em sua mão fria, olhei para seus olhos e disse: - sou eu vô, a Carol, filha do Gerson.
Ele me corrigiu: - Canurina.
Chorei, sabia que não o veria mais.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Baú
Bateu saudade, saudade de mim. Saudade das coisas que eu costumava fazer e me satisfazia.Todo mundo precisa de um tempo íntimo, quase secreto. E é nesse íntimo que se guarda a essência, quase inocência.
As coisas que nos inspiram quase sempre se mantêm ali guardadas e sofrem pequenas adições ao logo do tempo, mas nunca morrem.Não é nostalgia, longe disso! É o simples prazer de sentir-se vivo, vivido!
Lembro-me bem das árvores que me encantaram, das músicas bem tocadas, das flores enfeitando o chão das calçadas (quase sempre de uma avó, imagino eu), de todos os cafés degustados, das gotas de chuva forte, dos olhares confidentes, dos sorrisos, ah...sorrisos que me marcaram mais que todas as lágrimas.
E dos meus puros segredos que posso me lembrar sem nenhum cuidado; São meus.
Segredos de verdade são estes que nunca saem de nós. Esses são os nossos grandes trunfos.
Só consegue se enxergar quem está disposto a ser verdadeiro.
Só é verdadeiro quem se ama.
Assinar:
Postagens (Atom)